quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

In with the new

Me lembro como se fosse ontem (e nao estou me valendo da expressao aqui, eu lembro mesmo como se fosse ontem) da virada de 2009 pra 2010. Lembro das garrafas de champanhe abrindo e daquela taca mandrake que nunca esvaziava, nao importa o quanto eu bebesse. Lembro da chuva que caiu poeticamente a exatas 00hs do dia 01/01. Lembro das 500 marolas que pulei na praia da Ferradura. E lembro principalmente da certeza que eu tinha de que 2010 seria o melhor ano da minha vida. Eu estava errado. Nao que tenha sido ruim. Pelo contrario. Se nao foi o melhor, tambem esteve muito longe de ser o pior. Estreitei lacos de amizade, criei lacos que nao tinha, conheci pessoas que espero levar comigo por muito tempo (pra sempre nao existe, desculpa), estive errado, estive muito errado, estive certo, mas o mais importante e que me diverti muito.

Pode nao ter sido um ano de grandes conquistas, de grandes realizacoes como eu esperava. Mas foi um ano putaquepariumente divertido. Alcool de sexta as 22hs ate domingo as 23hs praticamente todo fim de semana. Show do Paul. E todos os fins de semana vividos em funcao da ML. Idas a JF, Bikers, B12, enfim.

2010 foi com certeza um ano de mudancas, pra melhor e pior como eu disse no primeiro post desse blog. Cheguei a conclusoes importantes sobre mim e onde eu quero chegar. Entendi a importancia de achar um lugar que eu sinta que e meu e varias outras coisas.

E pra fazer de 2011 um ano melhor, com um balanco mais positivo, segue a minha lista de resolucoes:

- Nao me explodir como homem bomba a favor da legalizacao da maconha
- Nao trocar de nome
- Ir ao banheiro regularmente
- Comer arroz
- Tomar conhaque de alcatrao quando comemorando aniversarios no Rio

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre Paul, parte I - dia II

O dia seguinte começou cedo, por volta das 10hs todos já estavam de pé e já começavam a se adiantar com banho e etc. Resolvemos ir pro Shopping Butantã pela hora do almoço, almoçar lá e depois fazer hora até a abertura dos portões do Morumbi.
Tenho que confessar que São Paulo me decepcionou um pouco. Na minha cabeça eu ia andar pela rua e ia encontrar toneladas de emos/coloridos, punks e carecas caindo na porrada incessantemente como se não houvesse amanhã. Mas não, vi pouquíssimos emos, nenhum punk e nenhum careca, e pra completar os emos que vi não apanhavam. Não é que eu quisesse ver os caras apanhando, mas é a impressão que eu tinha da cidade.

Chegando ao shopping fomos atrás da praça de alimentação almoçar, a missão completava 24hs e desde seu começo ninguém fazia uma refeição direita.
O chato da globalização é ao mesmo tempo seu ponto forte. Quando chegamos a praça de alimentação me senti no praia shopping, ou no rio sul. Eram exatamente os mesmos restaurantes. O que é bem sem graça, porque quando eu to longe de casa prefiro encarar coisas diferentes, mas ao mesmo tempo é seguro, porque você sabe que não importa onde você está no mundo, na hora do aperto vai ter um McDonald's na próxima esquina.
No shopping já dava pra sentir a vibe do show, muita gente com camisas dos Beatles, do Paul, do Angra (???). Tinha também muita gente com camisas iguais andando juntas, o que eu tomei por ser uma excursão, o que eu achei bem brega. Já não basta você ter que ficar seguindo um cara com uma bandeirinha pra não se perder, ainda tem que estar todo mundo com a mesma camisa? O shopping era bem decepcionante, me pareceu um shopping mais low profile de São Paulo, não lembro de ter visto nenhuma loja muito maneira, e o shopping não oferecia nada muito interessante.

Enfim, almoçamos, demos umas voltas e percebemos que ainda faltavam alguns milhões de horas até o show. O Chico tava que não se aguentava quieto, e resolveu ir até o estádio ver como estava a fila. O resto ficou pelo shopping mesmo, pensando no que fazer pra passar o tempo.
Nós tínhamos sono, um estômago cheio depois do almoço, algumas horas pra matar e um cinema por perto. Fez sentido ir pro cinema tirar um power-nap pra aguentar as próximas 12 horas de perrengue. E lá fomos nós. No cinema, mais uma constatação curiosa sobre o shopping em que nos encontrávamos, todos os filmes em cartaz estavam dublados. Não sei se a taxa de analfabetismo do lugar é alta, se o paulistano é preguiçoso, ou se por saberem que o shopping estaria lotado de cariocas naquele fim de semana resolveram fazer isso só de sacanagem. O fato é que até o Tropa de Elite 2 estava dublado (rolou essa piadinha na hora, achei válido repetir aqui). A gente ficou bem revoltado na hora, mas pensando agora, estávamos indo no cinema pra dormir, então não importava muito que filme era, muito menos se era dublado ou legendado. Então apesar da nossa revolta entramos no cinema pra assistir RED (bem legal por sinal).
A galera de São Paulo tem um problema sério com ar-condicionado, não sei se é medo, ou se o corporativismo tá tão enraizado na cidade que eles ficam desligando o ar pra cortar custos, mas onde quer que você vá dá a impressão de que o ar podia estar um pouquinho mais forte, ou estar ligado de verdade. Confesso que a idéia de dormir no cinema apesar de boa não deu muito certo pra mim. Eu até tentei, mas não consegui apagar, não sei quanto aos outros. O único que tive certeza que apagou foi o Frederico, porque inconscientemente ele faz questão de que todos saibam que ele está domindo com seu ronco boladão. Ainda sobre o cinema, passei por uma parada escrota que nunca tinha passado antes. Algum filho da puta colou um chiclete na poltrona na altura de onde se encosta a cabeça. Minha sorte foi que ele já tava meio seco e não colou no meu cabelo.
Durante o filme ainda recebi alguns SMS do Chico alertando sobre o absurdo da fila mas relevei, afinal, não ia poder fazer muita coisa a respeito.

Saindo do cinema fomos até o McDonald's (olha o que eu falei da globalização ae), sabíamos que qualquer coisa no Morumbi ia ser ridiculamente cara e como ainda tínhamos um dia quase inteiro pela frente antes de termos a oportunidade de comer de novo o mais sensato pareceu resolver logo isso. Depois do McDonald's chegava a hora de finalmente ir até o estádio para o que seria o maior show da vida de todos nós.

A quantidade de gente era absurda, não sei nem se posso dizer que a "fila" estava grande, porque não identifiquei muito uma fila. Ficamos por perto até a abertura dos portões. Malandramente combinamos antecipadamente um lugar pra todo mundo se encontrar caso algo desse errado, e também porque eu e Carvs ficaríamos destacados do resto do pessoal em um setor diferente, após o show, todos lá e tudo certo.
É engraçado como nesse tipo de evento uma atmosfera boa toma conta do lugar, não de maneira absoluta, mas bastante extensiva definitivamente. Onde quer que você fosse todos pareciam dispostos a interagir e fazer amigos, é claro que tem o cara que reclama que você furou fila, o cara que rouba o Ipod do seu bolso, e outras coisas chatas. Mas num todo, o clima é bem legal. E foi nesse clima que eu e Carvs entramos na fila. As pessoas escutam um comentário seu e resolvem entrar na conversa, entre tantas outras coisas.
Ainda na fila, mas quase no estádio, reparei que o Paulistano tem uma certa dificuldade em saber se é homem ou mulher. Ou isso, ou eles não escutam direito mesmo. A moça dizia com todas as letras: "homens a esquerda e mulheres a direita", e o que se via não era nada disso. As pessoas entravam displiscentemente ignorando completamente a ordem da moça. Tá que no fundo acho que não fazia diferença, mas pelo menos em respeito a coitada da moça as pessoas podiam respeitar e fazer como ela disse. Ela tava lá SÓ pra isso, e nem isso estavam fazendo, deve ter sido meio decepcionante.

Eu e Carvs ficamos na arquibanca laranja, também conhecida como lánaputaquepariu. E apesar de ser longe o lugar dava uma visão bem particular do evento. Ao mesmo tempo em que eu estava lá, eu tinha a impressão de ver tudo um pouco de fora, já que da laranja você conseguia ver todos os setores de trás, então a percepção que você tinha de toda a movimentação era bem curiosa.
Tenho que confessar que estar no show desmanchou um pouco a imagem que eu tinha do fã de Beatles. Na minha cabeça os fãs de Beatles eram sempre coroas bem sucedidos, ou jovens músicos talentosos. Sempre, sem excessão (ou exceção). Mas num show desse você descobre uns caras com sotaque de caipira, que você podia jurar que era fã do Milionário e Zé Rico mas que sabe exatamente que música o Paul vai tocar em seguida.

A gente entrou bem cedo no estádio, por volta das 18:30hs eu acho, então ficamos bastante tempo sentados conversando e observando o que acontecia. O estádio enchendo, a galera se divertindo com a "ola" e etc.
Nessa hora o tempo não passa mesmo, a ansiedade é ridícula de grande e você continua com dificuldade pra acreditar no que tá se passando.

Como eu disse no começo, vou falar sobre o show em um post separado, então vou dar um fast forward pra hora da saída.

Esperamos uns 10minutos pro público dar uma diminuída e a saída ser mais tranquila. O que pensando agora talvez não tenha sido assim tão genial. Esperamos pra sair mais tranquilos do estádio, mas não paramos pra pensar que dessa maneira quando saíssemos a parte de fora do mesmo já estaria um completo caos. E assim a gente descobriu que o ponto de encontro que eu tinha falado antes tinha sido um pouco genérico e todos tinham pensado no mesmo ponto de encontro, inclusive as excursões e suas bandeirinhas. Duas ligações e esse problema tava resolvido, alteramos o ponto de encontro e em alguns minutos todos estavam juntos de novo e prontos pra encarar o que seria uma longa, desanimadora e ao mesmo tempo aliviante volta pra casa.
Ficamos algum tempo esperando os entornos do estádio esvaziarem antes de resolvermos ir. Possivelmente mais um erro nosso. Os taxis simplesmente sumiram, os que apareciam ignoravam nossa existência e passavam batidos. Eram umas 02:00hs da manhã, já tínhamos fome de novo, muitos de nós estavam sem dinheiro algum e iríamos encontrar o Ronaldo (lembra dele?) as 04hs no albergue. Depois de muito brigar e rodar pra achar um taxi, conseguimos um que fez um preço razoavelmente justo e fomos embora.
Nessa viagem de taxi até o hostel São Paulo mostrou mais um aspecto desprezível dela mesmo. A xenofobia do paulistano. Conversando com o taxista que levava a gente você percebia no jeito que ele falava do Rio uma espécie de recalque. Parecia que ele queria mesmo começar uma discussão RioxSão Paulo com a gente, e não estava disposto a perder. Mas como nós somos adultos e sensatos não demos corda e deixamos ele se remoer sozinho com seu ódio de quem morava no extinto Estado da Guanabara.

Nessa hora deviam ser umas 02:30hs, e a gente ainda precisava muito comer. Então fomos ao posto próximo do hostel procurar qualquer besteira. Quando eu digo "qualquer besteira", você entende que a gente não queria "qualquer besteira" literalmente, né? Um hamburger, salgado, pão de queijo, sanduíche natural, era isso que a gente precisava. No primeiro posto não tinha nada disso, e percebendo nosso sotaque de carioca o atendente fez questão de falar isso da maneira mais educada possível.
Conseguimos comer no posto seguinte e por volta das 03hs estávamos de volta ao hostel. Faltava só uma hora pro Ronaldo chegar pra levar a gente pra Guarulhos, era hora de mais um power-nap. Dormimos uns 40min e o Ronaldo apareceu lá pra dar início a saga de volta pra casa.

Como vocês devem ter percebido, nós dormimos bem pouco nessa viagem. E no final do segundo dia ninguém se aguentava mais em pé. O vídeo abaixo ilustra bem isso.

http://www.youtube.com/watch?v=V6uBHncPFyo

Ao contrário do que eu profetizei, os mendigos de Guarulhos conseguiram fazer o check-in sem problemas usando aquela maquininha do self check-in e pudemos seguir viagem todos juntos.

Mais algumas horas e estávamos chegando ao Rio, nossa odisséia chegava ao fim e nenhum de nós conseguia assimilar direito ainda o que tinha acontecido nesse fim de semana. Só conseguíamos pensar em chegar em casa, tomar um banho e encarar novamente a vida real. Para a noite, colocarmos o sono em dia e finalmente termos algum tempo pra entender tudo o que tinha acontecido.

Queria aproveitar pra agradecer aos que estiveram comigo nessa viagem e estão devidamente marcados no meu facebook na foto do meu passe para a liberdade.
Meus irmãos Saulo Batera e Luquinhas, a simbiose Fred/Carvão, meu vizinho Pereti, a menina que compartilha aniversário comigo Bianca e ao elétrico Chico. Não importa por que caminhos a vida leve a gente daqui pra frente, não vai mudar o fato de que passamos por isso juntos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre Paul, parte I - dia I

Nesse fim de semana Paul Mccartney esteve em São Paulo, e eu fui um dos aproximadamente 128 mil felizardos que tiveram a chance de ver o ex-Beatle ao vivo naquela cidade maldita. Vou dividir o relato da experiência em 2 partes. Uma sobre o show em si, e como eu encarei esse momento. E outra sobre as desventuras que envolveram todo o episódio. Desde a saída do Rio no sábado até o fatídico retorno hoje pela manhã.

Logo no check-in do voo de ida pra São Paulo nos deparamos com a primeira curiosidade de nossa intrépida aventura. Apesar de estarmos fazendo uma ponte aérea, descobrimos que estávamos em um voo internacional com destino a Santiago do Chile. Na hora que fiquei sabendo não me apeguei muito ao que isso significava, nem que efeito isso teria no resto da viagem. Pois bem, o tempo tratou de explicar. Sendo um voo internacional nós embacaríamos pelo terminal internacional, e teríamos que passar pela imigração (???). Vocês já viram o tamanho da fila da imigração? Por um momento todos ficamos assustados e chegamos a pensar que perderíamos o voo, mas um policial federal interveio e seguimos sem passar pela imigração, chegando a tempo na nossa aeronave. O importante dessa passagem é destacar o seguinte, enquanto conversavamos sobre o que se passava profetizei: "daqui pra frente, são 24hs pra dar merda". Não fazia idéia de quão verdade seria essa profecia. O que se seguiu nas 24hs foi uma sequência de merdas, vividas de forma bem humorada e resolvidas da melhor maneira possível na maioria das vezes.

Todos devidamente embarcados fizemos um voo tranquilo até a dita "Terra da Garoa". Vim sentado junto do Carvão, e é impressionante a quantidade de besteira que esse muleke consegue falar em 50min. Se tivesse alguém contando com certeza chegariam a conclusão que ele tinha quebrado algum recorde.

No desembarque tratei de aprontar a minha primeira trapalhada. Vocês sabiam que o cartão de embarque é uma parada muito necessária pra você sair da área de desembarque do aeroporto? Pois é, eu também sabia. Porém, aquele papel amarelo igual a passagem do RioxPetrópolis fudeu minha vida. Assim como o cão de PavLov, agi condicionadamente e coloquei a porra do papel amarelo no bolso da poltrona em frente a minha, da mesma maneira que faço com minhas passagens do RioxPetrópolis, e deixei lá. Resultado? Lembra que eu disse que estávamos em um voo internacional? É, ninguém mais ninguém menos do que um PF mal encarado me impediu de sair da área de desembarque provavelmente achando que eu era um imigrante ilegal ou coisa parecida. A Bianca que estava com a gente muito gentilmente se ofereceu pra esperar na área de desembarque comigo, ao que o PF mal encarado respondeu: "pode ficar tranquila, ninguém vai bater nele não". Ninguém tinha falado em bater, mas se o cara levantou essa bola ele com certeza tinha a intenção. Então naquele momento o cenário era o seguinte: eu tinha chegado a São Paulo, e me encontrava em território internacional (???) impedido de sair até que eu tirasse um novo cartão de embarque da cueca, ou de onde quer que fosse. Pra melhorar minha situação, um dos meus amigos que não tinha sido um retardado como eu, me liga avisando que o PF mal encarado estava com a cueca atochada no rabo e tinha acabado de mandar prender uma comissária da Gol por desacato. A situação parecia incontornável. Eu já me via voltando pro Rio na melhor das hipóteses. Na pior, me via numa sala, com as mãos algemadas atrás das costas, um spot light apontado na minha cara e minha camisa inundada de sangue. O pior é que eu não via muita saída, porque eu fiquei preso ali e ninguém ao redor parecia ligar muito pra minha presença, ignorando, é claro, o fato de que todos os funcionários olhavam pra mim muito desconfiados e com um certo medo. Até que aparece um rapaz saltitante que trabalhava para a Gol e resolve perguntar o que eu tava fazendo ali. Eu expliquei a situação e ele pediu pra que eu acompanhasse ele. Subi a escada rolante por onde tinha descido pra chegar a área de desembarque e por ali mesmo fiquei. Ele me perguntou meu nome e sobrenome e alguns minutos depois ele volta com uma segunda via do meu cartão impressa. Quando fui sair percebi a tensão dos funcionários que me observavam enquanto eu estava impedido de seguir em frente. Melhor que a tensão deles foi a decepção dos mesmos quando descobriram porque eu fiquei preso ali. Acho que eles esperavam mesmo que fosse dar alguma merda, mas para o azar deles e minha sorte, não foi o que aconteceu.

Seguimos viagem para o aeroporto de Congonhas, de onde planejávamos pegar um taxi que nos levasse até o Jardim Paulista, bairro onde se encontrava nosso hostel. Chegando lá um importante personagem é adicionado a empreitada. Seu nome é Ronaldo. Um motorista não regularizado, com jeito de maloqueiro corinthiano, mas que era boa praça e tinha uma Zafira, único carro capaz de levar todo o grupo junto, evitando a necessidade de dois carros diferentes. Negociamos um preço com o Ronaldo, R$60 até o hostel. Mas o Frederico não achou justo e resolveu reclamar, aí o cara aumentou pra R$70, afinal, éramos 7 e assim a conta fechava.
Tudo estava lindo até que todos foram acometidos por um temor. Nós do Rio sabemos que não se anda em transporte não regularizado, mas a excitação de estar em São Paulo e o vislumbre do tempo que passaríamos na cidade era tão grande que ninguém pensou muito nisso e foi entrando no carro do Ronaldo. Ninguém no carro conhecia São Paulo, então o cara podia levar a gente pra onde bem entendesse, roubar nossos órgãos e deixar a gente largado a própria sorte. E é aí que você lembra que estamos em 2010 e a tecnologia está do nosso lado. Carvão sacou seu Iphone e procurou o trajeto no GPS. Fomos seguindo pra ver se ele levava a gente pro lugar certo. Acho que ninguém parou pra pensar no que a gente faria se ele tivesse indo pro lugar errado, mas como Deus é um cara muito maneiro e sabia que nossas intenções em São Paulo eram as melhores possíveis, o Ronaldo era de fato um trabalhador honesto. Com um quê de malandragem, mas honesto de maneira geral.

Chegamos ao hostel e de cara as impressões foram boas (ponto pro Caio que achou o hostel, e pro Frederico e pro Saulo que fizeram os corres da reserva). O pequeno vídeo abaixo mostra o quarto e como ficou a disposição das camas.

http://www.youtube.com/watch?v=dM7z_htJnlM

Vou ficar devendo o outro vídeo com flash porque a varanda continuou não aparecendo.

Com todos os atrasos causados pelo meu problema com a PF e outras coisas menores, a nossa última refeição tinha sido a algumas horas, e dessa maneira, estávamos todos famintos e precisávamos comer antes de encarar a night paulistana.
Foi aí que fomos entender onde nós estávamos hospedados. Nosso hostel era na esquina da Oscar Freire. Todo mundo conhece a rua e sua fama de nome, mas ninguém para pra quantificar em espécie a tal fama. Andamos algumas quadras pra baixo atrás de um restaurante japonês, e logo no primeiro constatamos que estávamos em um lugar muito muito caro. O menu do lado de fora anunciava um combinado de 9 peças a módicos R$73.
Nesse momento tivemos o primeiro racha no grupo. Alguns queriam ir até uma pizzaria e comer lá, outros queriam pedir a pizza no hostel, eu e Pereti não podíamos ligar menos. Tínhamos fome e queríamos comer, não importava onde.
Foi aí que outro membro do grupo foi alcançado pela zica paulistana. Lucas foi pedir a pizza direto na pizzaria na esperança de achar umas mesas em que a gente pudesse sentar e comer por ali mesmo, evitando a lavação de louça do hostel. E assim, ele acabou perdendo sua câmera, perdendo registros da viagem até o momento e é claro, os registros que seriam feitos no dia seguinte.

Enquanto comíamos, esbarramos no segundo racha no grupo. Pra onde ir? Uma parte mais aventureira queria ir pra Augusta ver o que tinha de legal por lá, uma outra parte liderada pelo Saulo queria ir ao Morrison's, bar que o Saulo conhecia de outras estadas em São Paulo. Eu e Pereti, mais uma vez, não ligávamos. Quem conhece o Saulo sabe como é difícil tirar uma idéia da cabeça dele, e em São Paulo não é diferente, o batera se manteve irredutível e o grupo da Augusta acabou se dando por vencido.
O Morrison's é um bar bem legal. 2 ambientes, um deles com um palco em que uma puta banda de "clássicos do rock" (como definiu o segurança) se apresentava. Mas fiquei com a impressão de que tínhamos escolhido o dia errado pra chegar lá. O bar tava muito cheio, e era frequentado por uma galera bem estranha. E nesse momento São Paulo começou a botar suas garras de fora e se mostrar uma cidade traiçoeira. Apesar do lugar estar lotado, ser caro, não ter ar-condicionado direito e estar mal frequentado, a noite rendeu muito. Mais do que devia. Tanto que chegamos em casa pelas 6 da manhã. Mas não porque nós nos divertíamos horrores, simplesmente rendeu, mesmo com todos insatisfeitos. É difícil explicar. Mas depois eu volto nesse assunto.

Lá conheci a Maria, uma paulistinha natural de Campos do Jordão muito gente boa com quem fiquei boa parte da noite conversando. E nessa conversa São Paulo mostrou mais uma de suas facetas obscuras. De acordo com ela, ninguém na faculdade dela estagia por menos de R$1500 por mês. PUTA QUE PARIU! Sabe quando eu fui ganhar R$1500 por mês? Quando vendi minha alma pra uma mega corporação. E esses caras tão ganhando isso pra estagiar! Fiquei pensando que isso deve ser alguma compensação pelo Rio ser a "Cidade Maravilhosa" e São Paulo ser a "Terra da Garoa".
Vale destacar também o medo que a Maria tinha do Rio. Imagino que todo mundo por lá tenha esse medo. O que é curioso porque, será que essa gente esqueceu que mora em São Paulo? Enquanto por aqui o BOPE invade favelas atrás de bandidos, lá a polícia militar e civil entram em guerra no meio da rua. No fim, isso é tudo culpa da mídia. Como São Paulo é a capital econômica do país existe uma grande blindagem do que acontece lá pro resto do mundo, pra não atrapalhar a imagem do lugar. E aí sobra pro Rio fazer o papel de metrópole marginalizada no jornal.

Lá pelas tantas percebi que era hora de ir embora e deixei o bar, grande parte dos meus amigos já estava lá fora e a fome tornava a atacar. Não tinha nenhum podrão por perto, mas tinha uma concentração curiosa em torno de um chinês atrás de um carrinho. Você não precisa ser nenhum gênio pra entender que aquele era o podrão disponível.
Esse foi um dos primeiros momentos "NINTENDO SIXTY FOOOOOOOOOOUR" da viagem. O podrão era nada mais nada menos do que uma pinica de yakisoba a R$4, R$5 ou R$6. E por pinica eu quero dizer pinica mesmo, a parada chegava a ser pesada. Como todo podrão que se preze a higiene era questionável, mas aquela altura eu estava embriagado e com fome, então não liguei muito pra isso, achei melhor lidar com as consequências depois.
Como eu disse anteriormente a noite já tinha rendido demais e quando os primeiros raios de sol começavam a indicar que tínhamos exagerado decidi que era hora de ir embora. Parei um taxi, juntei mais dois cansados e fomos pro hostel, na esperanca que dessa maneira encorajaríamos o resto do grupo a também dar um fim na noite. Deu certo, o sábado acabava por ali, e domingo começa no próximo post.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Só acontece comigo?

Como todos vocês bem sabem o Rio é uma cidade estranha. Curiosa no mínimo.
Hoje enquanto andava pra casa um senhor aparentemente normal que vinha na minha direção olha pra mim e proclama batendo no peito: "a luta continua, a luta continua". Desconcertado com a cena minha única reação foi responder: "é isso aí".

Tá que minha barba tá grande, mas não acho que esteja tanto assim a ponto das pessoas me confundirem com militantes comunistas. Então fiquei me perguntando, será que minha cara tá tão ruim assim? A ponto dos desconhecidos se sentirem comovidos e bradarem palavras de força pra mim na rua? Ou ainda, será que essa foi uma daquelas mensagens subliminares do universo, que a maioria das pessoas ignoraria, mas que na verdade é uma tentativa desesperada do universo de te dizer alguma coisa? Nesse caso, que a luta continua.
É tudo questão de ponto de vista. Pode não ter sido nada. Pode ter sido só um maluco que viu em mim um cara pra quem ele poderia falar esse tipo de coisa sem ser agredido depois.
Mas como eu já disse no "Coisas que eu vejo", esse tipo de situação mexe comigo. Não consigo simplesmente deixar pra lá. Minha cabeça segue fazendo associações e questionamentos em torno disso. É um exercício mental divertido e frustrante ao mesmo tempo. Nunca vou saber de onde veio aquele cara, pra onde ele ia, nem porque ele resolveu interagir comigo. Pior, nem sequer olhei pra trás depois que ele passou. Caso ele fosse uma mensagem subliminar do universo ele poderia simplesmente ter sumido, e aí minhas perguntas estariam respondidas, e só me restaria continuar a luta.

Acho que o tempo todo estamos cercados por essas mensagens subliminares. E elas são sempre atitudes estranhas/inesperadas/curiosas de pessoas na rua. Uma criança que te oferece biscoito, o cara que grita palavras de ordem, o cara que vem te vender os sonhos dele. Todos esses que a gente considera loucos, são na verdade o universo te chamando atenção pra alguma coisa. Depende da sua intepretação.
Sonhos não se compram, levanta a cabeça, essas coisas.

Enfim, perdi a linha. Pensem sobre isso.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

No exceptions, ou, Coisas que nao te contam II

Falando de maneira geral, existe muita coisa nessa vida sobre a qual ninguem fala. Uma delas e sobre a volubilidade das pessoas. O ser humano e voluvel. Eu sou voluvel. Voce e voluvel. Todos somos.
O problema e que nos nao sabemos lidar com essa condicao, tanto interna quanto externamente. E sim, ha diferenca.

Internamente e como voce lida com sua condicao de ser voluvel. Isso afeta as outras pessoas, suas expectativas, esperancas e etc. E voce e responsavel por isso. Logo, e preciso entender sua volubilidade e saber medir suas acoes de acordo com ela.

Externamente e como voce lida com a volubilidade das pessoas que te cercam. Ter a sensibilidade pra perceber o que exagero de momento e o que e verdade. A excitacao do momento faz voce exagerar e falar o que pensa que sente. Se isso acontece com voce, acontece tambem com as outras pessoas em relacao a voce. E um ciclo vicioso.

Se todos entendessemos nossa condicao de ser mutante conviveriamos melhor uns com os outros. Sem esperancas, sem expectativas, sem amanha. Hoje basta.

domingo, 8 de agosto de 2010

Coisas que eu descobri

Descobri que não sei lidar com traumas. Não supero meus traumas. Não me pergunte nada sobre eles, não sei dizer.
Tudo o que sei sobre meus traumas é que eles estão enterrados muito fundo, num lugar que eu não alcanço pra que eles não me incomodem.

Hoje é dia dos pais e eu vou telefonar pro meu, descobrir como vai a vida dele, o que ele tem feito, como estão seus filhos (meus irmãos), mas não tenho muito o que escrever sobre meu pai. Sei que é um cara que mudou muito, que cometeu seus erros e até hoje tenta reconstruir sua vida. Sei também que ele ama muito seus filhos, todos os 4, mesmo que 2 deles ele não saiba dizer quantos anos tem. Mas não sei dizer o que aprendi com ele. Não lembro de um conselho que ele tenha me dado, não lembro de ter compartilhado momentos ruins com ele. Não estou dizendo que nada disso aconteceu, só que eu não lembro, porque como eu disse no começo desse post, soterrei meus traumas de separação e etc, e não me lembro muito do meu pai enquanto pai.
Será que preciso desenterrar esses traumas pra seguir minha vida e encarar meus próprios demônios?

Feliz dia dos pais.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre cortar dedos

Dizem que a melhor forma de superar um amor é com outro amor. Mas será que isso funciona pra tudo? A melhor forma de superar uma decepção é com outra decepção? Seria como cortar um dedo fora pra melhorar dor de cabeça.
Faço isso com uma certa frequência, cortar dedos quando estou com dor de cabeça. A cabeça realmente para de doer, mas aí a merda do dedo faz uma falta danada. Além de doer mil vezes mais. Foi como aprendi a lidar com minhas dores de cabeça e minhas decepções.

E vivo assim, cortando meus dedos, colecionando decepções e decepcionando também, já que sou humano como qualquer outro.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Coisas que eu gosto I

Nao me conheco muito bem. Muita coisa que eu faco nao entendo direito porque fiz, mas acho (espero) que isso acontece com todo mundo.

Das poucas coisas que sei sobre mim com plena consciencia de que sei, a que eu mais tenho certeza e de que um dos maiores prazeres da minha vida (nao vou usar O maior pra nao ser determinista) e sentar numa mesa com meus amigos e beber. Nao importa que amigos, nao importa que bebida.
As conversas, confissoes e conclusoes que saem de uma mesa de amigos embriagados sao na minha humilde opiniao o supra-sumo da sabedoria mundana.
Troco qualquer filosofo pela minha filosofia de bar. Ela e imediata, impulsiva e sincera. Quantos filosofos dedicaram sua vida a seus estudos e chegaram a pessimas conclusoes sobre o mundo, o ser humano e a vida?
Ja cheguei a todo tipo de conclusao enquanto via garrafas de cerveja vindo e indo. Ja ri, provavelmente ja chorei, mas nunca me arrependi de ter estado la. Fez de mim quem eu sou, e cada pessoa que esteve comigo numa dessas mesas faz parte disso.

Paragrafo breve so pra dizer "oi", resultado de duas otimas cervejadas essa semana.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Coisas que nao te contam

Falando de maneira geral, existe muita coisa nessa vida sobre a qual ninguem fala. E voce fica ai imaginando que tudo e perfeito ate que se depara com uma dessas coisas.
Essas coisas tem passado pela minha cabeca e como teoricamente tudo que passa pela minha cabeca vem pra ca... bem, voce entendeu.

Uma das coisas que nao te contam e que nao se pode ter tudo. Nao mesmo. Voce pode ate achar que sabe disso, mas a verdade e que voce nao sabe. Voce tem esse conceito na sua cabeca, mas nao para pra materializar o que isso significa de fato.
Nunca queira tudo. Especialmente quando esse tudo envolve outras pessoas. Nao espere nada delas. Querendo tudo voce pode acabar com nada e nao precisa ser nenhum genio pra entender o porque isso e ruim.

Pode paracer meio pessimista, mas e verdade. Aceite as pessoas como elas sao e aproveite ao maximo o que elas tem pra te oferecer. Nao queira mais do que elas podem te dar. Voce vai se decepcionar, fatalmente. Isso e tao certo quanto a morte ou imposto de renda.
Mas a culpa nao e das pessoas que nao podem alcancar as suas expectativas e sim sua.
Viver consiste em abrir mao das coisas e estar disposto a fazer isso. E doloroso, mas e verdade. E se voce nao entende isso e tenta de todas as maneiras fazer com que as pessoas alcancem suas expectativas, prepare-se pro pior. As pessoas acabam te deixando ir pro seu proprio bem.

Prefiro ser ninguem, do que nao ser quem queriam que eu fosse.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Coisas que eu vejo

To bastante a toa essa tarde, entao resolvi escrever qualquer coisa.

Lembro que a uns anos atras eu acreditava ter um super-poder. E ultimamente tenho tornado a acreditar nisso.
Achava que tinha o poder de presenciar cenas absurdas. Coisas absurdas aconteciam ao meu redor com a mesma frequencia com que voce bebe agua, toma banho, ou qualquer outra dessas coisas indispensaveis na vida humana.
Com o tempo a ocorrencia de cenas absurdas na minha vida foi diminuindo e acabei me convencendo de que isso era invencao da minha cabeca. Porem, nas ultimas semanas voltei a reparar nessas cenas. Vai saber porque. Acho que isso e meio momento. As coisas nunca deixaram de acontecer na verdade, eu que parei de reparar nelas por estar olhando pra frente, ou com a cabeca longe.

Vi um anao andando de bicicleta quando ia almocar. Voce vai achar que e mentira, vai achar que eu to fazendo piada, vai ficar puto que eu achei absurdo um anao andando de bicicleta. Mas seja sincero, voce se imagina vendo essa cena em qualquer outro lugar que nao um circo? Sem falso moralismo, sem politicagem, sinceridade! Anoes nao andam de bicicleta. Mas aquele andava, e andava bem ate.

Acho que o que eu quero dizer e que essas cenas absurdas como anoes andando de bicicleta, filhotes de pombo e etc, mexem com o meu imaginario.
Que nem quando um bebe ve um caminhao, ou um aviao. Ele pensa: "Caralho! Olha o tamanho dessa porra! Preciso entrar num desses!". E ele tem razao, um aviao e uma parada absurdamente maneira, so que voce nao para pra pensar nisso, voce ta tao acostumado com essas coisas na sua rotina que elas perdem a magica, viram parte da paisagem.
E essa e a parte sem graca da vida adulta. O fim da magica. Voce de uma hora pra outra tem milhoes de coisas pequenas pra se preocupar, e acaba se esquecendo de simplesmente olhar pro lado e ver o anao andando de bicicleta no meio do transito do Rio de Janeiro.
O verdadeiro super-poder seria, entao, enxergar o absurdo das cenas, e nao estar perto pra presenciar. Seria entender o quao fora do cotidiano aquela cena e e perceber o quanto foi legal estar ali pra ver.
Pouca gente vai entender o que eu quero dizer, mas para pra reparar por um dia a quantidade coisas que te cercam que nao fazem sentido nenhum e que voce nem liga.

Comecei escrevendo uma coisa e no final se tornou outra completamente diferente. O texto ta baguncado porque e assim que minha cabeca funciona em momentos de fluidez. Mas o resumo da opera e o seguinte: olhe pro lado, esteja atento ao que acontece ao seu redor, deixa a vida bem mais divertida.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Q's & A's

Lembrei disso agora, talvez porque eu devesse estar fazendo trabalho. Talvez porque postei hoje cedo e entrei numa de escrever de novo. O porque nao vem ao caso.

O que sao respostas? Esse e o tipo de coisa que voce nao se pergunta. Respostas sao respostas, sempre foram e sempre serao. Mas se voce parar pra pensar no conceito de resposta, voce consegue chegar a algum lugar? A algo diferente de: "resposta e a resposta pra uma pergunta".
O google definiu resposta como: "enunciado que se faz como réplica a uma pergunta; refutação". Se o google nao conseguiu definir isso direito, quem sou eu pra querer faze-lo?

Agora, se nao e possivel definir, sera possivel encontrar? Ou melhor, existe uma resposta certa? Se para toda pergunta nessa vida e possivel achar no minimo um quazilhao de respostas diferentes, a resposta certa acaba por ser a que voce escolher como certa. Uma mentira repetida suficientemente se torna uma verdade, e dessa forma se constroem respostas e verdades.
Ate onde eu sei nao existe uma auditoria divina pra ver qual resposta e verdadeira ou nao. Mesmo porque, a resposta verdadeira e, por fim, a que eu decidir ser, ja que cabe a mim lidar com as consequencias de uma pergunta mal respondida, e dessa maneira a auditoria divina nao poderia entender minha resposta como fraudulenta.

Crescemos cercados pelos conceitos de certo e errado sem parar pra pensar que isso nao existe de verdade. A resposta certa e a que serve melhor? Pra quem? A que prazo? Escolha suas respostas, encare as consequencias delas de cabeca erguida. No final da tudo certo.

Coisas que eu nao gosto I

Em primeiro lugar queria pedir desculpas pela falta de sinais graficos nos posts daqui pra frente. Mudaram meu pc no trabalho e ainda nao descobri como fazer os mesmos funcionarem no novo. Ate la, nada de acentos, cedilhas ou qualquer coisa parecida.

Hoje enquanto vinha andando pro trabalho passei por uma moca que parecia uma conhecida minha, e torci pra que ela nao fosse a tal conhecida. Aquilo me intrigou. Porque eu tinha torcido pra que nao fosse a tal conhecida? Pensei por uns minutos nisso e cheguei a uma conclusao. Nao gosto de conhecidos. Se voce for meu conhecido nao se ofenda por favor. Nao e que eu nao gosto de voce, so nao gosto de voce ser um conhecido. Sao coisas diferentes.
Nao suporto silencios constrangedores, falta de assunto, papo sobre o tempo ou sobre noticias das quais eu somente li a manchete. Abro um parenteses aqui, entendam por conhecido aquele tipo de pessoa que voce nao tem intimidade quase nenhuma. A pouca que voce tem e a que te obriga a nao ignorar a pessoa, ou nao dar um "oi" timido de longe. Aquele meio termo entre desconhecidos e quase amigos.
Nao sei porque isso me irrita tanto, mas me irrita e me incomoda. Estou acostumado a ser o cara que sabe o que dizer e acho que os conhecidos acabam com isso pra mim. Nao sei o que dizer, como agir, como cumprimentar. E horrivel.

Pior ainda sao amigos que acabam virando conhecidos. Aquelas pessoas que por algum motivo sairam da sua vida e nao tem mais nada a ver com voce. Mas quando voce ve se sente obrigado a falar por todos os momentos vividos juntos. Eu diria que e a pior classe de conhecido possivel. Voce sempre acaba perguntando alguma coisa que a resposta constrangeria qualquer um.

Eu: E ai cara, como ta seu pai?
Conhecido: Morreu tem um ano.

O dialogo acima e ficticio, mas deve acontecer com uma frequencia maior do que se imagina.

Enfim, a culpa no final das contas e minha, eu que demoro a me apegar as pessoas, ter intimidade e etc. Mas como eu aprendi recentemente, e assim que eu sou, e pegar ou largar.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Primeiro Post

Esse é meu primeiro post oficial, devia ter vindo antes do primeiro, mas não podia deixar o outro escapar.

Não espere vocabulário rebuscado, grafia correta, gramática perfeita, grandes pensamentos ou conclusões sobre a vida. O blog serve justamente para o que o próprio nome propõe. Escrever sobre as coisas que vem na minha cabeça.
Como eu não sou de pensar muito não espere atualizações diárias, muito menos espere que eu vá continuar com esse blog por muito tempo. Venha quando você achar interessante, deixe um comentário sobre o que eu pensei e sejamos felizes.

Janela e Corredor são inseparáveis e se completam no dia a dia do ônibus. Juntos os dois testemunham brigas de casais, assaltos, estranhos se conhecendo, ou simplesmente nada.
E é isso que eu estou buscando: estar completo. E nesse caminho vou pensar muito e pretendo colocar tudo por aqui.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

E agora?

Você já parou pra pensar quantas vezes já se fez essa pergunta durante sua vida? Já parou pra pensar no que ela representa? O impacto que ela tem?
Acho que subestimamos o poder do "e agora?" e seu significado. É o tempo técnico do seu cérebro, da sua vida. Quando tudo dá errado (ou certo), você para pra se recompor, e se pergunta "E agora?".

É uma pergunta muito mais frequente do que você imagina, e dita o rumo da sua vida.
Eu por exemplo, fui acometido por uma enchurrada de "e agoras" de uma hora pra outra e no momento espero respostas pra essas perguntas, e que quase sempre resultam em trabalho, dedicação e coisas que eu não queria lidar mesmo nesse momento. Mas é justamente assim que funciona o tempo técnico do futebol, ou do basquete, ou do vôlei. Algo dá errado, e você precisa consertar.

O ponto de partida de quase tudo nesse mundo (se não tudo) é o "e agora?".

- O Haiti foi praticamente dizimado por um terremoto, e agora?
- O planeta terra está morrendo, e agora?
- Esqueci do trabalho pra hoje, e agora?
- Esqueci que tinha que dar aula sábado de manhã, e agora?
- Emerson fez mais um gol contra na final, PUTA QUE PARIU EMERSON, e agora?

E assim a vida segue e muitas vezes você empurra com a barriga e essa pergunta fica sem resposta. Você entrega as rédeas nas mãos do destino e paga pra ver que bicho vai dar.
E é aí que está a pegadinha. Esse é o seu tempo técnico. São as suas respostas, é o rumo da sua vida. Entregar na mão do destino realmente é mais fácil e eu faço isso o tempo todo, mas com certeza não é o melhor a se fazer.
Por acaso você senta num restaurante e fica esperando o garçom trazer um prato qualquer?

Merda acontece, as coisas dão errado, as coisas dão certo e dessa maneira o universo se equilibra. Ganhando e perdendo.
As coisas mudaram na minha vida, pra melhor e pra pior, o tempo dirá. Mas agora o que me resta fazer é juntar o que restou de mim e encarar minhas perguntas sem resposta, minha falta de chão e começar a fazer algo a respeito. Porque se eu não pedir meu Filé com Fritas corre o risco do garçom me trazer Sopa de Ervilha, e eu não suporto Sopa de Ervilha.