terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre Paul, parte I - dia II

O dia seguinte começou cedo, por volta das 10hs todos já estavam de pé e já começavam a se adiantar com banho e etc. Resolvemos ir pro Shopping Butantã pela hora do almoço, almoçar lá e depois fazer hora até a abertura dos portões do Morumbi.
Tenho que confessar que São Paulo me decepcionou um pouco. Na minha cabeça eu ia andar pela rua e ia encontrar toneladas de emos/coloridos, punks e carecas caindo na porrada incessantemente como se não houvesse amanhã. Mas não, vi pouquíssimos emos, nenhum punk e nenhum careca, e pra completar os emos que vi não apanhavam. Não é que eu quisesse ver os caras apanhando, mas é a impressão que eu tinha da cidade.

Chegando ao shopping fomos atrás da praça de alimentação almoçar, a missão completava 24hs e desde seu começo ninguém fazia uma refeição direita.
O chato da globalização é ao mesmo tempo seu ponto forte. Quando chegamos a praça de alimentação me senti no praia shopping, ou no rio sul. Eram exatamente os mesmos restaurantes. O que é bem sem graça, porque quando eu to longe de casa prefiro encarar coisas diferentes, mas ao mesmo tempo é seguro, porque você sabe que não importa onde você está no mundo, na hora do aperto vai ter um McDonald's na próxima esquina.
No shopping já dava pra sentir a vibe do show, muita gente com camisas dos Beatles, do Paul, do Angra (???). Tinha também muita gente com camisas iguais andando juntas, o que eu tomei por ser uma excursão, o que eu achei bem brega. Já não basta você ter que ficar seguindo um cara com uma bandeirinha pra não se perder, ainda tem que estar todo mundo com a mesma camisa? O shopping era bem decepcionante, me pareceu um shopping mais low profile de São Paulo, não lembro de ter visto nenhuma loja muito maneira, e o shopping não oferecia nada muito interessante.

Enfim, almoçamos, demos umas voltas e percebemos que ainda faltavam alguns milhões de horas até o show. O Chico tava que não se aguentava quieto, e resolveu ir até o estádio ver como estava a fila. O resto ficou pelo shopping mesmo, pensando no que fazer pra passar o tempo.
Nós tínhamos sono, um estômago cheio depois do almoço, algumas horas pra matar e um cinema por perto. Fez sentido ir pro cinema tirar um power-nap pra aguentar as próximas 12 horas de perrengue. E lá fomos nós. No cinema, mais uma constatação curiosa sobre o shopping em que nos encontrávamos, todos os filmes em cartaz estavam dublados. Não sei se a taxa de analfabetismo do lugar é alta, se o paulistano é preguiçoso, ou se por saberem que o shopping estaria lotado de cariocas naquele fim de semana resolveram fazer isso só de sacanagem. O fato é que até o Tropa de Elite 2 estava dublado (rolou essa piadinha na hora, achei válido repetir aqui). A gente ficou bem revoltado na hora, mas pensando agora, estávamos indo no cinema pra dormir, então não importava muito que filme era, muito menos se era dublado ou legendado. Então apesar da nossa revolta entramos no cinema pra assistir RED (bem legal por sinal).
A galera de São Paulo tem um problema sério com ar-condicionado, não sei se é medo, ou se o corporativismo tá tão enraizado na cidade que eles ficam desligando o ar pra cortar custos, mas onde quer que você vá dá a impressão de que o ar podia estar um pouquinho mais forte, ou estar ligado de verdade. Confesso que a idéia de dormir no cinema apesar de boa não deu muito certo pra mim. Eu até tentei, mas não consegui apagar, não sei quanto aos outros. O único que tive certeza que apagou foi o Frederico, porque inconscientemente ele faz questão de que todos saibam que ele está domindo com seu ronco boladão. Ainda sobre o cinema, passei por uma parada escrota que nunca tinha passado antes. Algum filho da puta colou um chiclete na poltrona na altura de onde se encosta a cabeça. Minha sorte foi que ele já tava meio seco e não colou no meu cabelo.
Durante o filme ainda recebi alguns SMS do Chico alertando sobre o absurdo da fila mas relevei, afinal, não ia poder fazer muita coisa a respeito.

Saindo do cinema fomos até o McDonald's (olha o que eu falei da globalização ae), sabíamos que qualquer coisa no Morumbi ia ser ridiculamente cara e como ainda tínhamos um dia quase inteiro pela frente antes de termos a oportunidade de comer de novo o mais sensato pareceu resolver logo isso. Depois do McDonald's chegava a hora de finalmente ir até o estádio para o que seria o maior show da vida de todos nós.

A quantidade de gente era absurda, não sei nem se posso dizer que a "fila" estava grande, porque não identifiquei muito uma fila. Ficamos por perto até a abertura dos portões. Malandramente combinamos antecipadamente um lugar pra todo mundo se encontrar caso algo desse errado, e também porque eu e Carvs ficaríamos destacados do resto do pessoal em um setor diferente, após o show, todos lá e tudo certo.
É engraçado como nesse tipo de evento uma atmosfera boa toma conta do lugar, não de maneira absoluta, mas bastante extensiva definitivamente. Onde quer que você fosse todos pareciam dispostos a interagir e fazer amigos, é claro que tem o cara que reclama que você furou fila, o cara que rouba o Ipod do seu bolso, e outras coisas chatas. Mas num todo, o clima é bem legal. E foi nesse clima que eu e Carvs entramos na fila. As pessoas escutam um comentário seu e resolvem entrar na conversa, entre tantas outras coisas.
Ainda na fila, mas quase no estádio, reparei que o Paulistano tem uma certa dificuldade em saber se é homem ou mulher. Ou isso, ou eles não escutam direito mesmo. A moça dizia com todas as letras: "homens a esquerda e mulheres a direita", e o que se via não era nada disso. As pessoas entravam displiscentemente ignorando completamente a ordem da moça. Tá que no fundo acho que não fazia diferença, mas pelo menos em respeito a coitada da moça as pessoas podiam respeitar e fazer como ela disse. Ela tava lá SÓ pra isso, e nem isso estavam fazendo, deve ter sido meio decepcionante.

Eu e Carvs ficamos na arquibanca laranja, também conhecida como lánaputaquepariu. E apesar de ser longe o lugar dava uma visão bem particular do evento. Ao mesmo tempo em que eu estava lá, eu tinha a impressão de ver tudo um pouco de fora, já que da laranja você conseguia ver todos os setores de trás, então a percepção que você tinha de toda a movimentação era bem curiosa.
Tenho que confessar que estar no show desmanchou um pouco a imagem que eu tinha do fã de Beatles. Na minha cabeça os fãs de Beatles eram sempre coroas bem sucedidos, ou jovens músicos talentosos. Sempre, sem excessão (ou exceção). Mas num show desse você descobre uns caras com sotaque de caipira, que você podia jurar que era fã do Milionário e Zé Rico mas que sabe exatamente que música o Paul vai tocar em seguida.

A gente entrou bem cedo no estádio, por volta das 18:30hs eu acho, então ficamos bastante tempo sentados conversando e observando o que acontecia. O estádio enchendo, a galera se divertindo com a "ola" e etc.
Nessa hora o tempo não passa mesmo, a ansiedade é ridícula de grande e você continua com dificuldade pra acreditar no que tá se passando.

Como eu disse no começo, vou falar sobre o show em um post separado, então vou dar um fast forward pra hora da saída.

Esperamos uns 10minutos pro público dar uma diminuída e a saída ser mais tranquila. O que pensando agora talvez não tenha sido assim tão genial. Esperamos pra sair mais tranquilos do estádio, mas não paramos pra pensar que dessa maneira quando saíssemos a parte de fora do mesmo já estaria um completo caos. E assim a gente descobriu que o ponto de encontro que eu tinha falado antes tinha sido um pouco genérico e todos tinham pensado no mesmo ponto de encontro, inclusive as excursões e suas bandeirinhas. Duas ligações e esse problema tava resolvido, alteramos o ponto de encontro e em alguns minutos todos estavam juntos de novo e prontos pra encarar o que seria uma longa, desanimadora e ao mesmo tempo aliviante volta pra casa.
Ficamos algum tempo esperando os entornos do estádio esvaziarem antes de resolvermos ir. Possivelmente mais um erro nosso. Os taxis simplesmente sumiram, os que apareciam ignoravam nossa existência e passavam batidos. Eram umas 02:00hs da manhã, já tínhamos fome de novo, muitos de nós estavam sem dinheiro algum e iríamos encontrar o Ronaldo (lembra dele?) as 04hs no albergue. Depois de muito brigar e rodar pra achar um taxi, conseguimos um que fez um preço razoavelmente justo e fomos embora.
Nessa viagem de taxi até o hostel São Paulo mostrou mais um aspecto desprezível dela mesmo. A xenofobia do paulistano. Conversando com o taxista que levava a gente você percebia no jeito que ele falava do Rio uma espécie de recalque. Parecia que ele queria mesmo começar uma discussão RioxSão Paulo com a gente, e não estava disposto a perder. Mas como nós somos adultos e sensatos não demos corda e deixamos ele se remoer sozinho com seu ódio de quem morava no extinto Estado da Guanabara.

Nessa hora deviam ser umas 02:30hs, e a gente ainda precisava muito comer. Então fomos ao posto próximo do hostel procurar qualquer besteira. Quando eu digo "qualquer besteira", você entende que a gente não queria "qualquer besteira" literalmente, né? Um hamburger, salgado, pão de queijo, sanduíche natural, era isso que a gente precisava. No primeiro posto não tinha nada disso, e percebendo nosso sotaque de carioca o atendente fez questão de falar isso da maneira mais educada possível.
Conseguimos comer no posto seguinte e por volta das 03hs estávamos de volta ao hostel. Faltava só uma hora pro Ronaldo chegar pra levar a gente pra Guarulhos, era hora de mais um power-nap. Dormimos uns 40min e o Ronaldo apareceu lá pra dar início a saga de volta pra casa.

Como vocês devem ter percebido, nós dormimos bem pouco nessa viagem. E no final do segundo dia ninguém se aguentava mais em pé. O vídeo abaixo ilustra bem isso.

http://www.youtube.com/watch?v=V6uBHncPFyo

Ao contrário do que eu profetizei, os mendigos de Guarulhos conseguiram fazer o check-in sem problemas usando aquela maquininha do self check-in e pudemos seguir viagem todos juntos.

Mais algumas horas e estávamos chegando ao Rio, nossa odisséia chegava ao fim e nenhum de nós conseguia assimilar direito ainda o que tinha acontecido nesse fim de semana. Só conseguíamos pensar em chegar em casa, tomar um banho e encarar novamente a vida real. Para a noite, colocarmos o sono em dia e finalmente termos algum tempo pra entender tudo o que tinha acontecido.

Queria aproveitar pra agradecer aos que estiveram comigo nessa viagem e estão devidamente marcados no meu facebook na foto do meu passe para a liberdade.
Meus irmãos Saulo Batera e Luquinhas, a simbiose Fred/Carvão, meu vizinho Pereti, a menina que compartilha aniversário comigo Bianca e ao elétrico Chico. Não importa por que caminhos a vida leve a gente daqui pra frente, não vai mudar o fato de que passamos por isso juntos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre Paul, parte I - dia I

Nesse fim de semana Paul Mccartney esteve em São Paulo, e eu fui um dos aproximadamente 128 mil felizardos que tiveram a chance de ver o ex-Beatle ao vivo naquela cidade maldita. Vou dividir o relato da experiência em 2 partes. Uma sobre o show em si, e como eu encarei esse momento. E outra sobre as desventuras que envolveram todo o episódio. Desde a saída do Rio no sábado até o fatídico retorno hoje pela manhã.

Logo no check-in do voo de ida pra São Paulo nos deparamos com a primeira curiosidade de nossa intrépida aventura. Apesar de estarmos fazendo uma ponte aérea, descobrimos que estávamos em um voo internacional com destino a Santiago do Chile. Na hora que fiquei sabendo não me apeguei muito ao que isso significava, nem que efeito isso teria no resto da viagem. Pois bem, o tempo tratou de explicar. Sendo um voo internacional nós embacaríamos pelo terminal internacional, e teríamos que passar pela imigração (???). Vocês já viram o tamanho da fila da imigração? Por um momento todos ficamos assustados e chegamos a pensar que perderíamos o voo, mas um policial federal interveio e seguimos sem passar pela imigração, chegando a tempo na nossa aeronave. O importante dessa passagem é destacar o seguinte, enquanto conversavamos sobre o que se passava profetizei: "daqui pra frente, são 24hs pra dar merda". Não fazia idéia de quão verdade seria essa profecia. O que se seguiu nas 24hs foi uma sequência de merdas, vividas de forma bem humorada e resolvidas da melhor maneira possível na maioria das vezes.

Todos devidamente embarcados fizemos um voo tranquilo até a dita "Terra da Garoa". Vim sentado junto do Carvão, e é impressionante a quantidade de besteira que esse muleke consegue falar em 50min. Se tivesse alguém contando com certeza chegariam a conclusão que ele tinha quebrado algum recorde.

No desembarque tratei de aprontar a minha primeira trapalhada. Vocês sabiam que o cartão de embarque é uma parada muito necessária pra você sair da área de desembarque do aeroporto? Pois é, eu também sabia. Porém, aquele papel amarelo igual a passagem do RioxPetrópolis fudeu minha vida. Assim como o cão de PavLov, agi condicionadamente e coloquei a porra do papel amarelo no bolso da poltrona em frente a minha, da mesma maneira que faço com minhas passagens do RioxPetrópolis, e deixei lá. Resultado? Lembra que eu disse que estávamos em um voo internacional? É, ninguém mais ninguém menos do que um PF mal encarado me impediu de sair da área de desembarque provavelmente achando que eu era um imigrante ilegal ou coisa parecida. A Bianca que estava com a gente muito gentilmente se ofereceu pra esperar na área de desembarque comigo, ao que o PF mal encarado respondeu: "pode ficar tranquila, ninguém vai bater nele não". Ninguém tinha falado em bater, mas se o cara levantou essa bola ele com certeza tinha a intenção. Então naquele momento o cenário era o seguinte: eu tinha chegado a São Paulo, e me encontrava em território internacional (???) impedido de sair até que eu tirasse um novo cartão de embarque da cueca, ou de onde quer que fosse. Pra melhorar minha situação, um dos meus amigos que não tinha sido um retardado como eu, me liga avisando que o PF mal encarado estava com a cueca atochada no rabo e tinha acabado de mandar prender uma comissária da Gol por desacato. A situação parecia incontornável. Eu já me via voltando pro Rio na melhor das hipóteses. Na pior, me via numa sala, com as mãos algemadas atrás das costas, um spot light apontado na minha cara e minha camisa inundada de sangue. O pior é que eu não via muita saída, porque eu fiquei preso ali e ninguém ao redor parecia ligar muito pra minha presença, ignorando, é claro, o fato de que todos os funcionários olhavam pra mim muito desconfiados e com um certo medo. Até que aparece um rapaz saltitante que trabalhava para a Gol e resolve perguntar o que eu tava fazendo ali. Eu expliquei a situação e ele pediu pra que eu acompanhasse ele. Subi a escada rolante por onde tinha descido pra chegar a área de desembarque e por ali mesmo fiquei. Ele me perguntou meu nome e sobrenome e alguns minutos depois ele volta com uma segunda via do meu cartão impressa. Quando fui sair percebi a tensão dos funcionários que me observavam enquanto eu estava impedido de seguir em frente. Melhor que a tensão deles foi a decepção dos mesmos quando descobriram porque eu fiquei preso ali. Acho que eles esperavam mesmo que fosse dar alguma merda, mas para o azar deles e minha sorte, não foi o que aconteceu.

Seguimos viagem para o aeroporto de Congonhas, de onde planejávamos pegar um taxi que nos levasse até o Jardim Paulista, bairro onde se encontrava nosso hostel. Chegando lá um importante personagem é adicionado a empreitada. Seu nome é Ronaldo. Um motorista não regularizado, com jeito de maloqueiro corinthiano, mas que era boa praça e tinha uma Zafira, único carro capaz de levar todo o grupo junto, evitando a necessidade de dois carros diferentes. Negociamos um preço com o Ronaldo, R$60 até o hostel. Mas o Frederico não achou justo e resolveu reclamar, aí o cara aumentou pra R$70, afinal, éramos 7 e assim a conta fechava.
Tudo estava lindo até que todos foram acometidos por um temor. Nós do Rio sabemos que não se anda em transporte não regularizado, mas a excitação de estar em São Paulo e o vislumbre do tempo que passaríamos na cidade era tão grande que ninguém pensou muito nisso e foi entrando no carro do Ronaldo. Ninguém no carro conhecia São Paulo, então o cara podia levar a gente pra onde bem entendesse, roubar nossos órgãos e deixar a gente largado a própria sorte. E é aí que você lembra que estamos em 2010 e a tecnologia está do nosso lado. Carvão sacou seu Iphone e procurou o trajeto no GPS. Fomos seguindo pra ver se ele levava a gente pro lugar certo. Acho que ninguém parou pra pensar no que a gente faria se ele tivesse indo pro lugar errado, mas como Deus é um cara muito maneiro e sabia que nossas intenções em São Paulo eram as melhores possíveis, o Ronaldo era de fato um trabalhador honesto. Com um quê de malandragem, mas honesto de maneira geral.

Chegamos ao hostel e de cara as impressões foram boas (ponto pro Caio que achou o hostel, e pro Frederico e pro Saulo que fizeram os corres da reserva). O pequeno vídeo abaixo mostra o quarto e como ficou a disposição das camas.

http://www.youtube.com/watch?v=dM7z_htJnlM

Vou ficar devendo o outro vídeo com flash porque a varanda continuou não aparecendo.

Com todos os atrasos causados pelo meu problema com a PF e outras coisas menores, a nossa última refeição tinha sido a algumas horas, e dessa maneira, estávamos todos famintos e precisávamos comer antes de encarar a night paulistana.
Foi aí que fomos entender onde nós estávamos hospedados. Nosso hostel era na esquina da Oscar Freire. Todo mundo conhece a rua e sua fama de nome, mas ninguém para pra quantificar em espécie a tal fama. Andamos algumas quadras pra baixo atrás de um restaurante japonês, e logo no primeiro constatamos que estávamos em um lugar muito muito caro. O menu do lado de fora anunciava um combinado de 9 peças a módicos R$73.
Nesse momento tivemos o primeiro racha no grupo. Alguns queriam ir até uma pizzaria e comer lá, outros queriam pedir a pizza no hostel, eu e Pereti não podíamos ligar menos. Tínhamos fome e queríamos comer, não importava onde.
Foi aí que outro membro do grupo foi alcançado pela zica paulistana. Lucas foi pedir a pizza direto na pizzaria na esperança de achar umas mesas em que a gente pudesse sentar e comer por ali mesmo, evitando a lavação de louça do hostel. E assim, ele acabou perdendo sua câmera, perdendo registros da viagem até o momento e é claro, os registros que seriam feitos no dia seguinte.

Enquanto comíamos, esbarramos no segundo racha no grupo. Pra onde ir? Uma parte mais aventureira queria ir pra Augusta ver o que tinha de legal por lá, uma outra parte liderada pelo Saulo queria ir ao Morrison's, bar que o Saulo conhecia de outras estadas em São Paulo. Eu e Pereti, mais uma vez, não ligávamos. Quem conhece o Saulo sabe como é difícil tirar uma idéia da cabeça dele, e em São Paulo não é diferente, o batera se manteve irredutível e o grupo da Augusta acabou se dando por vencido.
O Morrison's é um bar bem legal. 2 ambientes, um deles com um palco em que uma puta banda de "clássicos do rock" (como definiu o segurança) se apresentava. Mas fiquei com a impressão de que tínhamos escolhido o dia errado pra chegar lá. O bar tava muito cheio, e era frequentado por uma galera bem estranha. E nesse momento São Paulo começou a botar suas garras de fora e se mostrar uma cidade traiçoeira. Apesar do lugar estar lotado, ser caro, não ter ar-condicionado direito e estar mal frequentado, a noite rendeu muito. Mais do que devia. Tanto que chegamos em casa pelas 6 da manhã. Mas não porque nós nos divertíamos horrores, simplesmente rendeu, mesmo com todos insatisfeitos. É difícil explicar. Mas depois eu volto nesse assunto.

Lá conheci a Maria, uma paulistinha natural de Campos do Jordão muito gente boa com quem fiquei boa parte da noite conversando. E nessa conversa São Paulo mostrou mais uma de suas facetas obscuras. De acordo com ela, ninguém na faculdade dela estagia por menos de R$1500 por mês. PUTA QUE PARIU! Sabe quando eu fui ganhar R$1500 por mês? Quando vendi minha alma pra uma mega corporação. E esses caras tão ganhando isso pra estagiar! Fiquei pensando que isso deve ser alguma compensação pelo Rio ser a "Cidade Maravilhosa" e São Paulo ser a "Terra da Garoa".
Vale destacar também o medo que a Maria tinha do Rio. Imagino que todo mundo por lá tenha esse medo. O que é curioso porque, será que essa gente esqueceu que mora em São Paulo? Enquanto por aqui o BOPE invade favelas atrás de bandidos, lá a polícia militar e civil entram em guerra no meio da rua. No fim, isso é tudo culpa da mídia. Como São Paulo é a capital econômica do país existe uma grande blindagem do que acontece lá pro resto do mundo, pra não atrapalhar a imagem do lugar. E aí sobra pro Rio fazer o papel de metrópole marginalizada no jornal.

Lá pelas tantas percebi que era hora de ir embora e deixei o bar, grande parte dos meus amigos já estava lá fora e a fome tornava a atacar. Não tinha nenhum podrão por perto, mas tinha uma concentração curiosa em torno de um chinês atrás de um carrinho. Você não precisa ser nenhum gênio pra entender que aquele era o podrão disponível.
Esse foi um dos primeiros momentos "NINTENDO SIXTY FOOOOOOOOOOUR" da viagem. O podrão era nada mais nada menos do que uma pinica de yakisoba a R$4, R$5 ou R$6. E por pinica eu quero dizer pinica mesmo, a parada chegava a ser pesada. Como todo podrão que se preze a higiene era questionável, mas aquela altura eu estava embriagado e com fome, então não liguei muito pra isso, achei melhor lidar com as consequências depois.
Como eu disse anteriormente a noite já tinha rendido demais e quando os primeiros raios de sol começavam a indicar que tínhamos exagerado decidi que era hora de ir embora. Parei um taxi, juntei mais dois cansados e fomos pro hostel, na esperanca que dessa maneira encorajaríamos o resto do grupo a também dar um fim na noite. Deu certo, o sábado acabava por ali, e domingo começa no próximo post.