O dia seguinte começou cedo, por volta das 10hs todos já estavam de pé e já começavam a se adiantar com banho e etc. Resolvemos ir pro Shopping Butantã pela hora do almoço, almoçar lá e depois fazer hora até a abertura dos portões do Morumbi.
Tenho que confessar que São Paulo me decepcionou um pouco. Na minha cabeça eu ia andar pela rua e ia encontrar toneladas de emos/coloridos, punks e carecas caindo na porrada incessantemente como se não houvesse amanhã. Mas não, vi pouquíssimos emos, nenhum punk e nenhum careca, e pra completar os emos que vi não apanhavam. Não é que eu quisesse ver os caras apanhando, mas é a impressão que eu tinha da cidade.
Chegando ao shopping fomos atrás da praça de alimentação almoçar, a missão completava 24hs e desde seu começo ninguém fazia uma refeição direita.
O chato da globalização é ao mesmo tempo seu ponto forte. Quando chegamos a praça de alimentação me senti no praia shopping, ou no rio sul. Eram exatamente os mesmos restaurantes. O que é bem sem graça, porque quando eu to longe de casa prefiro encarar coisas diferentes, mas ao mesmo tempo é seguro, porque você sabe que não importa onde você está no mundo, na hora do aperto vai ter um McDonald's na próxima esquina.
No shopping já dava pra sentir a vibe do show, muita gente com camisas dos Beatles, do Paul, do Angra (???). Tinha também muita gente com camisas iguais andando juntas, o que eu tomei por ser uma excursão, o que eu achei bem brega. Já não basta você ter que ficar seguindo um cara com uma bandeirinha pra não se perder, ainda tem que estar todo mundo com a mesma camisa? O shopping era bem decepcionante, me pareceu um shopping mais low profile de São Paulo, não lembro de ter visto nenhuma loja muito maneira, e o shopping não oferecia nada muito interessante.
Enfim, almoçamos, demos umas voltas e percebemos que ainda faltavam alguns milhões de horas até o show. O Chico tava que não se aguentava quieto, e resolveu ir até o estádio ver como estava a fila. O resto ficou pelo shopping mesmo, pensando no que fazer pra passar o tempo.
Nós tínhamos sono, um estômago cheio depois do almoço, algumas horas pra matar e um cinema por perto. Fez sentido ir pro cinema tirar um power-nap pra aguentar as próximas 12 horas de perrengue. E lá fomos nós. No cinema, mais uma constatação curiosa sobre o shopping em que nos encontrávamos, todos os filmes em cartaz estavam dublados. Não sei se a taxa de analfabetismo do lugar é alta, se o paulistano é preguiçoso, ou se por saberem que o shopping estaria lotado de cariocas naquele fim de semana resolveram fazer isso só de sacanagem. O fato é que até o Tropa de Elite 2 estava dublado (rolou essa piadinha na hora, achei válido repetir aqui). A gente ficou bem revoltado na hora, mas pensando agora, estávamos indo no cinema pra dormir, então não importava muito que filme era, muito menos se era dublado ou legendado. Então apesar da nossa revolta entramos no cinema pra assistir RED (bem legal por sinal).
A galera de São Paulo tem um problema sério com ar-condicionado, não sei se é medo, ou se o corporativismo tá tão enraizado na cidade que eles ficam desligando o ar pra cortar custos, mas onde quer que você vá dá a impressão de que o ar podia estar um pouquinho mais forte, ou estar ligado de verdade. Confesso que a idéia de dormir no cinema apesar de boa não deu muito certo pra mim. Eu até tentei, mas não consegui apagar, não sei quanto aos outros. O único que tive certeza que apagou foi o Frederico, porque inconscientemente ele faz questão de que todos saibam que ele está domindo com seu ronco boladão. Ainda sobre o cinema, passei por uma parada escrota que nunca tinha passado antes. Algum filho da puta colou um chiclete na poltrona na altura de onde se encosta a cabeça. Minha sorte foi que ele já tava meio seco e não colou no meu cabelo.
Durante o filme ainda recebi alguns SMS do Chico alertando sobre o absurdo da fila mas relevei, afinal, não ia poder fazer muita coisa a respeito.Tenho que confessar que São Paulo me decepcionou um pouco. Na minha cabeça eu ia andar pela rua e ia encontrar toneladas de emos/coloridos, punks e carecas caindo na porrada incessantemente como se não houvesse amanhã. Mas não, vi pouquíssimos emos, nenhum punk e nenhum careca, e pra completar os emos que vi não apanhavam. Não é que eu quisesse ver os caras apanhando, mas é a impressão que eu tinha da cidade.
Chegando ao shopping fomos atrás da praça de alimentação almoçar, a missão completava 24hs e desde seu começo ninguém fazia uma refeição direita.
O chato da globalização é ao mesmo tempo seu ponto forte. Quando chegamos a praça de alimentação me senti no praia shopping, ou no rio sul. Eram exatamente os mesmos restaurantes. O que é bem sem graça, porque quando eu to longe de casa prefiro encarar coisas diferentes, mas ao mesmo tempo é seguro, porque você sabe que não importa onde você está no mundo, na hora do aperto vai ter um McDonald's na próxima esquina.
No shopping já dava pra sentir a vibe do show, muita gente com camisas dos Beatles, do Paul, do Angra (???). Tinha também muita gente com camisas iguais andando juntas, o que eu tomei por ser uma excursão, o que eu achei bem brega. Já não basta você ter que ficar seguindo um cara com uma bandeirinha pra não se perder, ainda tem que estar todo mundo com a mesma camisa? O shopping era bem decepcionante, me pareceu um shopping mais low profile de São Paulo, não lembro de ter visto nenhuma loja muito maneira, e o shopping não oferecia nada muito interessante.
Enfim, almoçamos, demos umas voltas e percebemos que ainda faltavam alguns milhões de horas até o show. O Chico tava que não se aguentava quieto, e resolveu ir até o estádio ver como estava a fila. O resto ficou pelo shopping mesmo, pensando no que fazer pra passar o tempo.
Nós tínhamos sono, um estômago cheio depois do almoço, algumas horas pra matar e um cinema por perto. Fez sentido ir pro cinema tirar um power-nap pra aguentar as próximas 12 horas de perrengue. E lá fomos nós. No cinema, mais uma constatação curiosa sobre o shopping em que nos encontrávamos, todos os filmes em cartaz estavam dublados. Não sei se a taxa de analfabetismo do lugar é alta, se o paulistano é preguiçoso, ou se por saberem que o shopping estaria lotado de cariocas naquele fim de semana resolveram fazer isso só de sacanagem. O fato é que até o Tropa de Elite 2 estava dublado (rolou essa piadinha na hora, achei válido repetir aqui). A gente ficou bem revoltado na hora, mas pensando agora, estávamos indo no cinema pra dormir, então não importava muito que filme era, muito menos se era dublado ou legendado. Então apesar da nossa revolta entramos no cinema pra assistir RED (bem legal por sinal).
A galera de São Paulo tem um problema sério com ar-condicionado, não sei se é medo, ou se o corporativismo tá tão enraizado na cidade que eles ficam desligando o ar pra cortar custos, mas onde quer que você vá dá a impressão de que o ar podia estar um pouquinho mais forte, ou estar ligado de verdade. Confesso que a idéia de dormir no cinema apesar de boa não deu muito certo pra mim. Eu até tentei, mas não consegui apagar, não sei quanto aos outros. O único que tive certeza que apagou foi o Frederico, porque inconscientemente ele faz questão de que todos saibam que ele está domindo com seu ronco boladão. Ainda sobre o cinema, passei por uma parada escrota que nunca tinha passado antes. Algum filho da puta colou um chiclete na poltrona na altura de onde se encosta a cabeça. Minha sorte foi que ele já tava meio seco e não colou no meu cabelo.
Saindo do cinema fomos até o McDonald's (olha o que eu falei da globalização ae), sabíamos que qualquer coisa no Morumbi ia ser ridiculamente cara e como ainda tínhamos um dia quase inteiro pela frente antes de termos a oportunidade de comer de novo o mais sensato pareceu resolver logo isso. Depois do McDonald's chegava a hora de finalmente ir até o estádio para o que seria o maior show da vida de todos nós.
A quantidade de gente era absurda, não sei nem se posso dizer que a "fila" estava grande, porque não identifiquei muito uma fila. Ficamos por perto até a abertura dos portões. Malandramente combinamos antecipadamente um lugar pra todo mundo se encontrar caso algo desse errado, e também porque eu e Carvs ficaríamos destacados do resto do pessoal em um setor diferente, após o show, todos lá e tudo certo.
É engraçado como nesse tipo de evento uma atmosfera boa toma conta do lugar, não de maneira absoluta, mas bastante extensiva definitivamente. Onde quer que você fosse todos pareciam dispostos a interagir e fazer amigos, é claro que tem o cara que reclama que você furou fila, o cara que rouba o Ipod do seu bolso, e outras coisas chatas. Mas num todo, o clima é bem legal. E foi nesse clima que eu e Carvs entramos na fila. As pessoas escutam um comentário seu e resolvem entrar na conversa, entre tantas outras coisas.Ainda na fila, mas quase no estádio, reparei que o Paulistano tem uma certa dificuldade em saber se é homem ou mulher. Ou isso, ou eles não escutam direito mesmo. A moça dizia com todas as letras: "homens a esquerda e mulheres a direita", e o que se via não era nada disso. As pessoas entravam displiscentemente ignorando completamente a ordem da moça. Tá que no fundo acho que não fazia diferença, mas pelo menos em respeito a coitada da moça as pessoas podiam respeitar e fazer como ela disse. Ela tava lá SÓ pra isso, e nem isso estavam fazendo, deve ter sido meio decepcionante.
Eu e Carvs ficamos na arquibanca laranja, também conhecida como lánaputaquepariu. E apesar de ser longe o lugar dava uma visão bem particular do evento. Ao mesmo tempo em que eu estava lá, eu tinha a impressão de ver tudo um pouco de fora, já que da laranja você conseguia ver todos os setores de trás, então a percepção que você tinha de toda a movimentação era bem curiosa.
Tenho que confessar que estar no show desmanchou um pouco a imagem que eu tinha do fã de Beatles. Na minha cabeça os fãs de Beatles eram sempre coroas bem sucedidos, ou jovens músicos talentosos. Sempre, sem excessão (ou exceção). Mas num show desse você descobre uns caras com sotaque de caipira, que você podia jurar que era fã do Milionário e Zé Rico mas que sabe exatamente que música o Paul vai tocar em seguida.
A gente entrou bem cedo no estádio, por volta das 18:30hs eu acho, então ficamos bastante tempo sentados conversando e observando o que acontecia. O estádio enchendo, a galera se divertindo com a "ola" e etc.
Nessa hora o tempo não passa mesmo, a ansiedade é ridícula de grande e você continua com dificuldade pra acreditar no que tá se passando.
Como eu disse no começo, vou falar sobre o show em um post separado, então vou dar um fast forward pra hora da saída.
Esperamos uns 10minutos pro público dar uma diminuída e a saída ser mais tranquila. O que pensando agora talvez não tenha sido assim tão genial. Esperamos pra sair mais tranquilos do estádio, mas não paramos pra pensar que dessa maneira quando saíssemos a parte de fora do mesmo já estaria um completo caos. E assim a gente descobriu que o ponto de encontro que eu tinha falado antes tinha sido um pouco genérico e todos tinham pensado no mesmo ponto de encontro, inclusive as excursões e suas bandeirinhas. Duas ligações e esse problema tava resolvido, alteramos o ponto de encontro e em alguns minutos todos estavam juntos de novo e prontos pra encarar o que seria uma longa, desanimadora e ao mesmo tempo aliviante volta pra casa.
Ficamos algum tempo esperando os entornos do estádio esvaziarem antes de resolvermos ir. Possivelmente mais um erro nosso. Os taxis simplesmente sumiram, os que apareciam ignoravam nossa existência e passavam batidos. Eram umas 02:00hs da manhã, já tínhamos fome de novo, muitos de nós estavam sem dinheiro algum e iríamos encontrar o Ronaldo (lembra dele?) as 04hs no albergue. Depois de muito brigar e rodar pra achar um taxi, conseguimos um que fez um preço razoavelmente justo e fomos embora.
Nessa viagem de taxi até o hostel São Paulo mostrou mais um aspecto desprezível dela mesmo. A xenofobia do paulistano. Conversando com o taxista que levava a gente você percebia no jeito que ele falava do Rio uma espécie de recalque. Parecia que ele queria mesmo começar uma discussão RioxSão Paulo com a gente, e não estava disposto a perder. Mas como nós somos adultos e sensatos não demos corda e deixamos ele se remoer sozinho com seu ódio de quem morava no extinto Estado da Guanabara.Tenho que confessar que estar no show desmanchou um pouco a imagem que eu tinha do fã de Beatles. Na minha cabeça os fãs de Beatles eram sempre coroas bem sucedidos, ou jovens músicos talentosos. Sempre, sem excessão (ou exceção). Mas num show desse você descobre uns caras com sotaque de caipira, que você podia jurar que era fã do Milionário e Zé Rico mas que sabe exatamente que música o Paul vai tocar em seguida.
A gente entrou bem cedo no estádio, por volta das 18:30hs eu acho, então ficamos bastante tempo sentados conversando e observando o que acontecia. O estádio enchendo, a galera se divertindo com a "ola" e etc.
Nessa hora o tempo não passa mesmo, a ansiedade é ridícula de grande e você continua com dificuldade pra acreditar no que tá se passando.
Como eu disse no começo, vou falar sobre o show em um post separado, então vou dar um fast forward pra hora da saída.
Esperamos uns 10minutos pro público dar uma diminuída e a saída ser mais tranquila. O que pensando agora talvez não tenha sido assim tão genial. Esperamos pra sair mais tranquilos do estádio, mas não paramos pra pensar que dessa maneira quando saíssemos a parte de fora do mesmo já estaria um completo caos. E assim a gente descobriu que o ponto de encontro que eu tinha falado antes tinha sido um pouco genérico e todos tinham pensado no mesmo ponto de encontro, inclusive as excursões e suas bandeirinhas. Duas ligações e esse problema tava resolvido, alteramos o ponto de encontro e em alguns minutos todos estavam juntos de novo e prontos pra encarar o que seria uma longa, desanimadora e ao mesmo tempo aliviante volta pra casa.
Ficamos algum tempo esperando os entornos do estádio esvaziarem antes de resolvermos ir. Possivelmente mais um erro nosso. Os taxis simplesmente sumiram, os que apareciam ignoravam nossa existência e passavam batidos. Eram umas 02:00hs da manhã, já tínhamos fome de novo, muitos de nós estavam sem dinheiro algum e iríamos encontrar o Ronaldo (lembra dele?) as 04hs no albergue. Depois de muito brigar e rodar pra achar um taxi, conseguimos um que fez um preço razoavelmente justo e fomos embora.
Nessa hora deviam ser umas 02:30hs, e a gente ainda precisava muito comer. Então fomos ao posto próximo do hostel procurar qualquer besteira. Quando eu digo "qualquer besteira", você entende que a gente não queria "qualquer besteira" literalmente, né? Um hamburger, salgado, pão de queijo, sanduíche natural, era isso que a gente precisava. No primeiro posto não tinha nada disso, e percebendo nosso sotaque de carioca o atendente fez questão de falar isso da maneira mais educada possível.
Conseguimos comer no posto seguinte e por volta das 03hs estávamos de volta ao hostel. Faltava só uma hora pro Ronaldo chegar pra levar a gente pra Guarulhos, era hora de mais um power-nap. Dormimos uns 40min e o Ronaldo apareceu lá pra dar início a saga de volta pra casa.
Como vocês devem ter percebido, nós dormimos bem pouco nessa viagem. E no final do segundo dia ninguém se aguentava mais em pé. O vídeo abaixo ilustra bem isso.
http://www.youtube.com/watch?v=V6uBHncPFyo
Ao contrário do que eu profetizei, os mendigos de Guarulhos conseguiram fazer o check-in sem problemas usando aquela maquininha do self check-in e pudemos seguir viagem todos juntos.
Mais algumas horas e estávamos chegando ao Rio, nossa odisséia chegava ao fim e nenhum de nós conseguia assimilar direito ainda o que tinha acontecido nesse fim de semana. Só conseguíamos pensar em chegar em casa, tomar um banho e encarar novamente a vida real. Para a noite, colocarmos o sono em dia e finalmente termos algum tempo pra entender tudo o que tinha acontecido.
Queria aproveitar pra agradecer aos que estiveram comigo nessa viagem e estão devidamente marcados no meu facebook na foto do meu passe para a liberdade.
Meus irmãos Saulo Batera e Luquinhas, a simbiose Fred/Carvão, meu vizinho Pereti, a menina que compartilha aniversário comigo Bianca e ao elétrico Chico. Não importa por que caminhos a vida leve a gente daqui pra frente, não vai mudar o fato de que passamos por isso juntos.